Jê é um filme ficcional de gênero “policial” baseado
num fato real contado ao autor pela pessoa que o
vivenciou. Por intermédio de uma narrativa composta
de três partes, a película conta a estória de uma
moça (JÊ) que sofre junto com uma amiga um
rapto com violência sexual e, após ser libertada,
busca sua redenção. Apesar deste enredo denso, o
filme não é pesado e trata o assunto de maneira
humana e sensível.
A primeira parte apresenta a vida e o trabalho de
cinco amigas (Jê, Daniella, Anny, Fernanda e Laura),
envolvendo o espectador emocionalmente na luta
diária delas na cidade de Niterói.
Surge, então, Cássia, uma personagem linda e
misteriosa, que procura se aproximar das garotas,
mas que não lhes inspira confiança.
Por conta desta relação perigosa, ocorre o seqüestro
e o estupro de Jê e Laura e a mobilização das outras
amigas para pagar o resgate exigido pelos
seqüestradores. Trata-se de bandidos ligados ao
tráfico de drogas. O filme irá tratar com realismo
este enredo de violência, buscando não glamurizar os
criminosos.
Na última parte, o filme se concentra nas duas
personagens que vivenciaram esta tragédia pessoal e
o modo como cada uma lidou com ela e reconstruiu sua
vida. Para Jê, que mantém sua filosofia humanística
diante dos revezes da vida, a solução está na
solidariedade e no resgate da felicidade e do amor.
Laura, que costumava ser uma pessoa prepotente,
sofre uma grande e positiva mudança na sua
personalidade.
O filme não é depressivo. A idéia é não deixar o
espectador sair o cinema com um espírito de revolta,
mas fazê-lo refletir sobre a sociedade, a
necessidade de se buscar Justiça – e não vingança –
e de mostrar a responsabilidade do poder público e
da sociedade neste processo de restabelecimento da
ordem urbana e da garantia, a todos os cidadãos, do
acesso ao poder judiciário.
O filme revela as deficiências da segurança pública
no país, mas passa uma mensagem otimista, na medida
em que acredita na decência da maioria das pessoas
ligadas às instituições policiais e, sobretudo, na
boa índole do povo brasileiro. Como ressalta o
autor, “se a própria pessoa violentada deu seu
perdão à vida, o que dirá o espectador”.